Festa bacana, feita pra gente com grana

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Neste carnaval, apesar de não estar tão ligado, pude ouvir os comentários sobre as músicas mais cobiçadas para ganhar o Prêmio de Melhor Música do Carnaval Baiano, sendo elas Largadinho interpretada por Cláudia Leite, Dançando, por Ivete Sangalo e Ziriguidum por Filhos de Jorge. 

Sabendo da facilidade que o capital tem em manipular todo e qualquer processo, a desconfiança de que Ivete ganharia a qualquer custo era a primeira coisa que vinha em minha mente, tendo em vista os diversos contratos que ela possui com gravadoras e empresas, dentre elas, a Globo, a Schin e a própria Axé Mix que é dela, uma das principais revendedoras de ingressos e abadás da Bahia. 

Porém, como nenhuma novidade, "a voz do povo" mais uma vez fez a diferença e a Banda Filhos de Jorge conseguiu fazer com que toda a Bahia cantasse junto com eles, a música que viria a ser a vencedora do Prêmio, segundo o Bahia Folia. 

Agora indo para o lado histórico e cultural, que é o que o carnaval da Bahia devia representar, podemos ver que não há nada de justo, cultural e democrático. O carnaval na Bahia é feito por empresários, vendido por preços absurdos para quem tem dinheiro e fechado para o povo, o que é uma contradição. Os blocos separados com cordas comprovam o quão segregador é o carnaval da Bahia. Outra coisa que podemos notar é que, em sua grande maioria, os que compõem os blocos são pessoas de etnia branca, sendo que estamos no estado do Brasil onde mais existem negros. 

A Banda Filhos de Jorge traz um pouco da cultura afro, porém, nada mais original que, além deles, se traga para o público e a mídia, o Ilê Aye, o Olodum, os Filhos de Ghandy e a Timbalada. Grupos musicais de peso se analisarmos pelo quesito afro-cultural e de resistência. Não nos iludamos achando que a cultura afro está sendo valorizada pelo simples fato de uma música dançante e que teve aprovação popular ganhou como música mais tocada numa festa segregadora e que foi elitizada. 

O povo brasileiro precisa abrir os olhos, parar de ver e procurar enxergar que, enquanto servirmos de escada para a ascensão destes artistas que preferem se vender pelo preço que for aos exploradores da indústria cultural para estarem perto dos holofotes, a nossa cultura será tratada como uma prostituta. 

E quanto à participação do coreano, não quero nem comentar.

Publicado em:
QUINTA-FEIRA, 14 DE FEVEREIRO DE 2013


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