A simplicidade me atrai. Observe! Eu disse simplicidade. Porém, a normalidade me
retrai. Gosto de dar valor às coisas que são desvalorizadas. Desvalorizadas,
mas não pelos seus valores, e sim, pela sociedade em que vivemos. O capital e o
status falam mais alto que a beleza natural de ser o que cada um de nós é, e
ainda que digamos que é necessário, sabemos que não. Sabemos que para viver,
não é preciso ter tanto dinheiro assim. O suficiente para mim basta. Gosto da
natureza, dos carnavais, da natureza das pessoas, mas ainda mais da dos
animais. Gosto das cores, das flores, das dores, das coisas incolores e até
mesmo das coisas indolores. Gosto da minha família, dos meus amigos, dos meus
chegados, dos meus poucos e tão odiados inimigos. Gosto da música, aliás, das
músicas. Das músicas e seus estilos, melodias, ritmos, rimas, letras e
mensagens. Sem a música, não sei o que seríamos. Ainda que eu não tenha o dom,
tenho um grande apreço pelos baixistas, bateristas e saxofonistas, são coisas
lindas de se ver, ouvir, acompanhar. Mas não há nada melhor do que ouvir a
melhor música com a melhor companhia. Aí sim eu gosto, adoro, amo! Seja Benito
di Paula com meu Pai, Eagles com minha Mãe, Djavan com minha irmã ou o reggae
com a alma, o rock com os punhos, o rap com o coração, a MPB com a mente, o
samba com os pés, mas todos, com os meus amigos, bons e velhos amigos. Gosto
das coisas, quando postas em público, no sentido impessoal, direcionadas ao
interesse coletivo. Afinal, de que me importa a sua vida amorosa? Às vezes
penso que me preocupo mais com quem me rodeia do que comigo mesmo. E gosto!
Lembre-se, no sentido impessoal. Gosto de fazer bem e saber que fiz. Gosto de
ver quem eu gosto feliz. Importo-me com o bem-estar delas e não com a vida
pessoal delas. Isto pouco me importa, desde que elas não tenham interesse em
procurar-me para desabafar. Gosto de ouvir, de dar conselhos, de reanimar.
Gosto de, quando referente a mim, me calar. Sou do tipo: "Eu mesmo resolvo
meus problemas", ainda que nem sempre consiga, sou assim e gosto. Até
aprendo desta forma. Gosto do conhecimento, da informação, da sapiência, da
arte. Gosto da minha preguiça, do meu jeito de ser, do meu jeito de falar,
agir, brincar, lutar, observar. Observando se aprende mais do que agindo, mas
agindo você ensina, e nada melhor do que sentir-se realizado ao ver alguém
dizer que aprendeu algo diferente. São quatro horas da manhã e pretendo
finalizar este texto, afinal, preciso descansar. Ah, gosto de dormir pouco,
pouquíssimo! Enfim, são quatro horas da manhã do dia trinta e um de dezembro de
dois mil e doze.
Publicado em:
14 DE MARÇO DE 2013
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