Por quê Re-existir?

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Vamos lá! Eu quero mudar a situação em que se encontra o setor público de saúde do meu município. Mas como eu posso fazer isso? Simplesmente pedir? Mas aqueles senhores que um dia disseram que entrariam nos âmbitos administrativos do nosso município também falou que queria mudar. E hoje? Mudou? Então você deveria ter caído na real e percebido que apenas querer não é poder e não é nem ao menos tentar. Sabe porquê? Por que de boas intenções o caminho para o inferno está bem pavimentada! As boas intenções podem nos levar à lugares tão podres quanto os esgotos. Não, as boas intenções não são ruins (O.o). Porém, nós somos inocentes. E nossa inocência nos deixa vulneráveis à manipulação e enganação que, em conseguinte, nos frustra, nos deixa desolados, nos enfraquece, desarticula, entristece, desestimula e para isso, nos serve e nos vem o sentido e sentimento de RESISTÊNCIA.
E que a resistência não seja tomada como uma pessoalidade, como uma ferramenta para que no futuro você possa dizer "eu participei, eu fiz isso, eu fiz aquilo", que a resistência não sirva para você se sobrepor aos que não puderam participar de uma ocupação, manifestação ou até mesmo um confronto policial. Que esta resistência seja aquela que, em seu quente e solitário quarto você possa parar para pensar no quanto você lutou, se desgastou e se esforçou para que seus iguais, ainda que a base de ignorância te repreenderam durante todo este tempo, tivessem os direitos dignos para viverem e não desistir agora. A resistência é contra a frustração de não ter melhorado a situação do setor publico de saúde da sua cidade, a resistência é contra a tentativa de desarticulação do coletivo do qual você faz parte, é contra a intolerância dos que fazem parte da luta e que em momentos de euforia te julgam de forma equivocada, é contra a "ideia de que você saindo dali, vai ser melhor para você, segundo seus pais", é contra o Capital que lhe força a largar sua luta, sua dignidade, sua honestidade e demais princípios para ter uma "boa vida".
Então, depois de tanta coisa, aprendemos que a luta não é somente de classes, de gênero, racial, religiosa ou todas estas a quais já estamos acostumados a ouvir, discutir e estruturar. Entendemos que a luta deve-se iniciar contra si mesmo, contra o ego que foi construído e é fortalecido a cada vitória. É uma luta interna que ainda não encontramos um modo de combate, mas que não está muito longe de encontrarmos. Um dia, esta Terra há de ser justa, para os nossos iguais e distintos. Respeitais os seres para que seja idiotizado hoje e honrado no futuro.

PUBLICADO EM:
15 de Agosto de 2013


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